TRASH 2017: MAIS FANTÁSTICA QUE NUNCA

CRASH!

2016 representou uma radical ruptura na TRASH, a mais antiga mostra cinematográfica do Estado de Goiás. Se até ali o festival era pautado por filmes de baixíssimo orçamento e alto nível de transgressão, sua bússola passava então a mirar um outro norte: o cinema fantástico. E por cinema fantástico entenda-se: filmes de gênero. Mais precisamente terror, ficção científica e fantasia.

O sucesso do ano passado atestou a correção das novas coordenadas audiovisuais. Uma apurada curadoria e sessões invariavelmente cheias foram a marca daquela TRASH, a primeira com o subtítulo Mostra Internacional de Cinema Fantástico. Em 2017, resolvemos aprofundar a experiência. Afinal, em time que está ganhando só se mexe quando o compromisso maior é com o espetáculo – e, de quebra, promover a goleada.

 

A primeira e mais notável mudança da TRASH este ano está no local onde o festival irá ocorrer: o Cine Lumière Bougainville, tradicional templo da cinefilia goiana, sinônimo de cinema de arte, qualidade audiovisual e paixão pelas imagens em movimento. Nada mais apropriado. O público da TRASH, ao contrário do que possa parecer aos desavisados, sempre foi majoritariamente composto por sofisticados apreciadores do cinema, pouco afeitos a modismos passageiros.

 

Por outro lado, não pense você que a TRASH virou as costas à sua longeva a influente tradição. É bom lembrar que a mostra jamais foi exclusivamente dedicada ao “lixo”. Desde o berço, o cinema de gênero fez parte de seu suculento cardápio. A TRASH foi a pioneira nisso. E fim de papo. Portanto, preparamos uma abertura que celebra o passado, ao mesmo tempo que aponta para o futuro do festival.

 

Zé do Caixão: Coração das Trevas é a pérola que abre o jogo. Última realização do lendário parceiro da TRASH, José Mojica Marins – aqui ao lado de Marcelo Calaiacovo e do irascível Nilson Primitivo –, o curta é um libelo experimental que une o maior personagem do cinema brasileiro ao espírito do escritor Joseph Conrad.

 

Na sequência, o longa Terra e Luz, de Renné França, reafirma na tela grande todo o ideário da TRASH. É um filme goiano, realizado com pouquíssimo dinheiro e infinitos talento e garra. Cinema de gênero reconhecido e premiado Brasil afora, contra todas as probabilidades – e que assumidamente carrega em seu horror pós-apocalíptico o DNA da mostra. Impossível ficarmos mais orgulhosos.

 

Ao todo, entre 06 e 10 de dezembro, 80 filmes tomarão fantasmagoricamente a tela do Lumière Bougainville. O nível, estratosférico, se deve a um (pra lá de) rigoroso processo de seleção que depurou 1.741 obras vindas de 95 países diferentes. Oficinas, convidados, debates e lançamentos completam a programação – fantástica, modéstia à parte.

De trash, na TRASH, só o nome. Logo mais, nem isso.

É um Festival Internacional de Cinema Fantástico de qualidade irrepreensível, feito por e para quem ama cinema.

 

Novas rupturas radicais à vista. Não perca.

CRASH!

 

Márcio Paixão Jr.

Criador e curador da TRASH – Mostra Internacional de Cinema Fantástico